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Adiada a aprovação de milho transgênico

Publicada em 30-01-2008


O Conselho Nacional de Biossegurança (CNB), formado por representantes de onze ministérios brasileiros, adiou para o próximo mês a decisão sobre a liberação do plantio comercial de milho transgênico no país. A reunião na tarde de ontem, que durou pouco mais de duas horas, terminou sem conclusão. O conselho teria ainda questionamentos, mas o teor das dúvidas não foi divulgado. A próxima reunião deve ocorrer no dia 12.

O CNB deveria analisar a liberação de duas variedades de milho transgênico aprovadas no ano passado pelo Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) - o Liberty Link, da Bayer CropScience, e o Guardian, da Monsanto. Uma terceira variedade, o Bt11, da Syngenta, aprovado em setembro, ainda não tem data marcada para apreciação pelo conselho. Se aprovadas na próxima reunião, a expectativa é que as variedades da Bayer e da Monsanto já estejam liberadas para a safra do ano que vem.

O plantio comercial do milho transgênico é altamente polêmico e sua avaliação foi adiada algumas vezes pela Justiça, que exigiu mais informações sobre o fluxo gênico e sobre as regras de monitoramento e transporte. Isso porque, ao contrário da soja, existe polinização no milho e, portanto, o risco de contaminação de plantas transgênicas no milho convencional e orgânico .

Segundo o Greenpeace, "a possibilidade de contaminação de plantações de milho por variedades transgênicas é um desastre que o Brasil não pode arcar sem prejuízos sérios à agricultura". Em entrevista anteontem à "Folha de S. Paulo", o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, fez uma afirmação que poderá pressionar ainda mais o CNB: já existiria plantio de milho transgênico contrabandeado no Sudeste e Centro-Oeste do país.

Em evento ontem em São Paulo, Ywao Miyamoto, presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), afirmou que tem notícias sobre a entrada ilegal de sementes transgênicas de milho no país. Mas seria um "problema pontual" e que tenderia a acabar quando o seu plantio comercial for aprovado. Além das variedades de milho, o Brasil já tem aprovadas a comercialização da soja Roundup Ready (RR), tolerante a herbicida, e o algodão Bollgard (BT), resistente a insetos. Ambos foram desenvolvidos pela Monsanto.

A economia com herbicidas tem sido o argumento mais comum da indústria para defender os transgênicos. As multinacionais apontam ainda outro fator: as sementes já são utilizadas há anos em países como Argentina.

De qualquer forma, há um longo caminho para o consenso internacional. Muitos países europeus vêem com extrema cautela a inserção de organismos transgênicos na cadeia alimentar, temendo consequências ainda imprevisíveis para a saúde humana e o ambiente. Pesquisas refletem esse sentimento: sete em cada dez europeus dizem que não comeriam alimentos transgênicos.

Recentemente, a França decidiu invocar uma cláusula de salvaguarda da União Européia para barrar o cultivo da variedade MON 810, da Monsanto, depois que um órgão do governo disse ter dúvidas sobre o produto. Na Espanha, onde 10% de toda a produção de milho já é transgênica, cresce a pressão de setores da sociedade civil, que denunciam contaminações de plantações.

Fonte: Valor Econômico