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Isenção de tributo na União Européia aquece o mercado de milho

Publicada em 21-01-2008



A decisão da União Européia em isentar alguns cereais de alíquotas de importação pode aumentar ainda mais as exportações do milho brasileiro em 2008. O país, que hoje ocupa a terceira colocação no ranking dos maiores exportadores da commoditie, é mais procurado pelos europeus por não possuir transgêncicos em suas lavouras.
O preço do cereal sofreu um aumento na cotação de praticamente 100% em 2007: de R$ 16,10 em maio para R$ 32,00 a saca em novembro. Um dos fatores que proporcionaram essa alta foi a compra de cerca de quatro milhões de toneladas do grão pela comunidade européia entre agosto e setembro desse ano, pagando cerca de 70 dólares a mais por tonelada do milho, que oscilou entre 160 e 180 dólares de setembro em diante no mercado de Chicago.

Essa procura foi causada principalmente pelas perdas na safra européia de 2007/08, cuja produção caiu de 55 para 46 milhões de toneladas. Segundo Paulo Molinari, consultor agrícola da Safras & Mercado é possível que essa procura inflacione ainda mais os preços em 2008. "É provável que até fevereiro eles comprem algo em torno de quatro milhões de toneladas, o que pode causar alta no preço", afirma.
De acordo com especialisatas essa alta ocorreu principalmente pelo excesso de procura pelo produto no mercado. Para Sérgio Mendes, Diretor Geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), "além do mercado, há outro fator para a grande procura pelo cereal é a ausência de transgenia e isso é determinante para a preferência da UE ao mercado brasileiro", explica.

O ano termina com exportações de com cerca de 11 milhões de toneladas. Desse total, cerca de 6,2 milhões foram para a os europeus, algo em torno de US$ 1,1 bilhão. Sílvio Farnese, Coordenador Geral de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, explica que não existe a possibilidade de faltar milho para o abastecimento do mercado interno. "A produção brasileira gira em torno de 52 milhões de toneladas por ano e o consumo em 40 milhões, sem contar as reservas que o governo possui", tranqüiliza.
Mas alguns analistas recebem a notícia com um pouco de cautela. Leonardo Sologuren, diretor da Céleres explica que devido a alguns fatores, entre eles o grande desenvolvimento na área de biocombustíveis, os preços acabaram subindo bastante e o Brasil tornou-se um dos principais produtores de milho. "É preciso ampliar o plantio e cuidar de alguns outros pontos como tecnologia e incentivo ao agricultor para aumentar a produção e o mercado doméstico não sofrer com a falta do produto futuramente", disse.

Fonte: Acorda Brasil