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Meio Ambiente

Publicada em 04-05-2007


Preocupação Ambiental já reflete em políticas brasileiras

Por conta da experiência bem-sucedida com seu programa de álcool, o Brasil deverá ocupar em pouco tempo um papel de liderança na condução das políticas mundiais de geração de bioenergia. O que o país fizer ou deixar de fazer nesta direção servirá de modelo para o mundo. A avaliação foi feita terça-feira, dia 01/05, pelo ex-presidente norte-americano Bill Clinton, em palestra durante o Fórum sobre Desenvolvimento Sustentável 2007, realizado no Hotel Hilton, em Nova York (EUA), pela Associação das Nações Unidas – Brasil (Anubra).

"O mundo está atento ao que acontece no Brasil. O caminho a ser tomado pelo país terá grande impacto sobre o que farão os demais países", disse o ex-presidente, a uma platéia formada por empresários, banqueiros, ambientalistas e políticos brasileiros.

Clinton apontou a necessidade de que os esforços contra o aquecimento global também surtam efeitos no combate às desigualdades sociais e econômicas. "Mais do que globalizado, este é um mundo interdependente. Nossas políticas têm de acompanhar esta realidade".

Um dos debatedores convidados, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi compôs a segunda mesa da manhã – com o tema "Conservação e Exploração Racional da Floresta Amazônica”. Em sua fala, ele reconheceu que, em função das recentes evidências científicas, sua visão a respeito dos riscos ambientais é hoje diferente.

"Sempre tivemos uma posição de enfrentamento em relação ao que diziam as ongs. Achava que não era verdade, e que de fato havia muito campo para buscar aumentar a produção. Hoje, diante do que vem sendo constatado, não posso ignorar este problema".

Maggi, contudo, disse considerar o fórum como uma oportunidade de reverter o que qualifica como uma imagem distorcida da realidade de Mato Grosso. "Nós procuramos demonstrar que as atividades econômicas do Estado são sustentáveis e que ocupam apenas 36% do Estado", reforçou.

No evento, Maggi, que teve uma nova oportunidade para falar sobre sua proposta de um fundo internacional para conter os desmatamentos legais na região Amazônica – naquele limite de 20% a que cada proprietário rural tem direito na região (ver matéria).

"Os proprietários têm de receber, seja um aluguel, seja um arrendamento, para que abram mão de desmatar até o limite permitido pela Constituição", disse o governador, que mostrou em sua palestra imagens do Sistema de Licenciamento Ambiental em Propriedades Rurais (SLAPR), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). "Este sistema é nossa contribuição ao mundo".

Sobre a possibilidade de o Brasil se lançar à frente na busca por novas fontes de energia, Maggi disse que, para que Mato Grosso participe desse mercado com competitividade, será necessário dotar o Estado de infra-estrutura. "Precisamos de um poliduto ou alcoolduto até o sudeste do país ou até o norte. Do contrário, será difícil entrar de forma competitiva neste mercado"


Fonte: Folha MT