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Clima ainda prejudica plantio e estende entressafra

Publicada em 30-10-2007


 O excesso de chuva, no Rio Grande do Sul, e a falta dela nas demais regiões fez com que o cultivo não ocorresse no mesmo ritmo que em outros anos. Com isso, a próxima colheita se atrasará, fazendo com que as cotações dos grãos mantenham-se em patamares mais elevados por um período maior. O clima poderá, ainda, diminuir o potencial produtivo das lavouras. Em vez das 138,3 milhões de toneladas projetadas pelo governo, a colheita poderá ficar em 134,9 milhões de toneladas.


"A conseqüência desse alongamento da entressafra é de certa forma sustentar preços em patamar elevado por um período maior, pesando um pouco na inflação e não trazer uma safra no seu limite superior", avalia o economista Fábio Silveira, da RC Consultores. De acordo com a Somar, nos últimos 15 dias a chuva deu uma trégua no Rio Grande do Sul - mas não o suficiente para avançar o plantio de arroz - e caiu de forma irregular no restante do País - o Paraná foi o estado mais beneficiado. "O cenário está muito variável, tem produtor plantando e outros olhando para o céu e esperando para começar", diz Paulo Etchitchury, meteorologista da Somar. O resultado é um atraso generalizado no plantio.


Segundo a Céleres, até o final da semana passada o cultivo de milho chegava a 40,7% da área esperada ante a 45,8% no mesmo período do ano passado. Para a soja, a projeção era de 20% no Centro-Oeste ante a 31% em 2006. No Sul o atraso é de quatro pontos percentuais. No Rio Grande do Sul, pelas estimativa do governo, o maior atraso ocorre no arroz (17% para 23%) e no feijão (68% para 78%).


Uma das regiões com maior dificuldade é Goiás. Há regiões que não têm chuvas há mais de 50 dias e a umidade no solo é de, no máximo, 10%, de acordo com a Somar. "A temperatura está muito alta e as chuvas são esparsas. Quase ninguém plantou", diz Adriano Vendeth de Carvalho, da SoloBrazil. Pelas suas projeções, o cultivo do milho está entre 30% a 40% da área - deveria ser entre 80% e 90% - e o da soja não chega a 10%. Ele acredita que, diante desse cenário, muita gente vai desistir do milho, trocando-o por soja e tendo de utilizar uma variedade de ciclo mais longo, o que pode interferir no plantio da safrinha do ano que vem.


A intensificação das chuvas no Paraná afastou o fantasma de uma redução na safra de grãos pela diminuição da área plantada. Apenas o feijão foi prejudicado, com uma área 24% menor, segundo relatório do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná. A instituição manteve a previsão de colheita de 21,5 milhões de toneladas de grãos no estado. "As condições de plantio estão excelentes e o produtor está aproveitando rapidamente o período recomendado pela assistência técnica que vai até 31 de dezembro", diz Otmar Hubner.


Fonte: Gazeta Mercantil